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Seus jogos do PS5 nao sao seus, e a Sony acaba de lembrar disso

Miguel MenezesPor: Miguel Menezes
Imagem: Sony

A Sony reenviou os termos de uso lembrando que jogos digitais são licenciados, não vendidos. Mas Steam, Xbox e Nintendo dizem o mesmo.

A Sony disparou por e-mail uma atualização dos seus termos de uso para donos de PS5. Entre as cláusulas, uma que voltou a incendiar as redes: os jogos digitais são licenciados a você, não vendidos.

O texto explica que você recebe uma licença limitada, pessoal e não transferível para jogar no aparelho a que o software se destina. Copiar, alterar, sublicenciar ou emular está fora — e violar qualquer dessas condições invalida a licença na hora. A revolta foi imediata.

Isso não é novo, nem é só da Sony

Primeiro ponto: a cláusula é padrão em toda loja digital.

Steam, Xbox e Nintendo trazem redação equivalente nos próprios termos. A Valve diz que o conteúdo é licenciado e que a licença não transfere título nem propriedade. A Microsoft afirma o mesmo sobre bens digitais. E a Nintendo talvez seja a mais dura das três, ao classificar a licença como revogável.

Ou seja, quem joga em qualquer plataforma está sob o mesmo tipo de acordo há anos.

Segundo ponto: mídia física também é licença

Este é o detalhe mais polêmico.

Comprar um jogo em disco não te torna dono do jogo. Você é dono da caixa e do disco, objetos físicos, mas o software continua licenciado, com restrições parecidas.

A diferença real não é propriedade. É o que você pode fazer com aquilo:

* Revenda e troca: com o disco, você vende, empresta ou passa adiante.

* Independência da conta: se a conta for banida ou perdida, o disco ainda roda em outro console.

* Funcionamento offline: ele não depende de um servidor de licença.

Nada disso é propriedade no sentido jurídico. Mas é liberdade prática, e é justamente o que se perde no digital.

Fez questão de lembrar

A Sony é a única fabricante de console que anunciou o fim da produção de discos, a partir de 2028. E o e-mail chegou bem no meio de um protesto em que jogadores desligaram os consoles como forma de manifestação.

Ilustração de jogadores desligando os consoles em forma de manifestação
Ilustração de imagem

Não havia como o timing ser pior. Uma cláusula antiga, reenviada semanas depois de acabar com a mídia física, soa como confirmação do que os críticos já diziam.

O que muda para quem joga no Brasil

O mercado de usados é uma via de acesso relevante no Brasil, onde jogo novo custa caro e a maior parte do físico é importada. Revenda, empréstimo entre amigos e compra de segunda mão são a forma como muita gente joga lançamento sem pagar preço cheio.

Sem disco, esses três caminhos deixam de existir — e sobra esperar promoção, que acontece quando a loja quiser.

Vale lembrar o dado que publicamos recentemente: em Resident Evil Requiem, a mídia física respondeu por perto de metade das vendas fora dos Estados Unidos.

Fonte: Pushsquare