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Ex-chefe do PlayStation minimiza fim dos discos que ele defendeu em 2013

Miguel MenezesPor: Miguel Menezes
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Shuhei Yoshida disse não ver problema no fim dos discos do PlayStation em 2028. Em 2013, ele estrelou o vídeo que defendia emprestar jogos.

Shuhei Yoshida presidiu os estúdios da PlayStation entre 2008 e 2019 e trabalhou na Sony desde a concepção do primeiro console, saindo da empresa em 2025. É uma das vozes mais respeitadas da marca.

Agora ele entrou no debate mais quente do momento: a decisão da Sony de encerrar a produção de discos para jogos novos a partir de 2028. E sua posição vai na contramão da revolta do público.

Em entrevista ao site GamerBraves, Yoshida disse não entender por que isso seria um problema tão grande.

O argumento de Yoshida

O raciocínio dele é prático. Como quase todo jogo em disco já exige download depois, o disco em si teria perdido boa parte da função.

Segundo o executivo, mesmo quem compra a versão física precisa baixar correções, DLCs e atualizações para ter o jogo completo. Sem isso, o disco entrega uma versão incompleta.

Ele também admitiu que não sabia dos planos da Sony quando deixou a empresa, e foi pego de surpresa pelo anúncio.

Sobre o próprio hábito, foi direto: prefere tudo digital, sem trocar disco nem gerenciar mídia. Quer abrir o menu, escolher o jogo e jogar.

Onde ele reconhece que há perda

Yoshida não descartou todas as críticas. Em dois pontos, foi mais cauteloso.

Sobre quem compra e vende jogos usados, admitiu que a falta de disco realmente prejudica esse grupo. Sem mídia, não há revenda.

Sobre colecionadores, disse que seria uma pena perder a possibilidade de colecionar jogos físicos.

E fez uma observação que passou batido em boa parte da cobertura: sem o disco, o preço digital pode ser qualquer um. É um reconhecimento importante — a mídia física funciona como âncora de preço e traz a concorrência entre varejistas.

A ironia: em 2013, ele fez exatamente o oposto

Aqui está o detalhe que dá outra camada à história.

Na E3 de 2013, quando a Microsoft anunciou restrições ao empréstimo de jogos no Xbox One, a Sony respondeu com um vídeo de poucos segundos que virou lenda.

Nele, o próprio Yoshida entrega uma caixa de Killzone: Shadow Fall a um colega e diz, em inglês, que é assim que se compartilham jogos no PS4. Nada mais. O vídeo passou de 30 milhões de visualizações e ajudou a definir a geração.

Treze anos depois, esse mesmo vídeo voltou a circular — agora como protesto contra a Sony, no debate sobre o fim da mídia física.

O argumento das promoções não vale igual no Brasil

Questionado sobre quem tem orçamento apertado, Yoshida respondeu que essas pessoas podem esperar as promoções das lojas digitais.

O raciocínio funciona melhor em alguns mercados que em outros. No Brasil, boa parte do acesso barato a jogos passa justamente pelo que só existe com disco:

* Revenda de usados, que sustenta lojas de bairro e permite trocar um jogo pelo próximo

* Empréstimo entre amigos, que na prática amplia o acesso sem custo

* Compra de segunda mão, muitas vezes a única forma de jogar um lançamento sem esperar dois anos

Sem mídia física, esses três caminhos deixam de existir. Sobra a promoção — que depende de quando a loja quiser fazer, e não de quando você precisa.

Vale lembrar um dado recente: em Resident Evil Requiem, a mídia física respondeu por cerca de metade das vendas fora dos Estados Unidos, chegando a 55% na França. O disco está longe de ser irrelevante no mundo todo.