Resident Evil Requiem: 8 milhoes vendidos e a midia fisica se recusa a morrer
Resident Evil Requiem é o mais recente capítulo da série de survival horror da Capcom, lançado em 27 de fevereiro de 2026. Ele já passou de 8 milhões de unidades vendidas — e agora virou também um retrato de como cada país compra jogos.
E o retrato é curioso: num jogo cujo título significa "missa de defunto", quem se recusa a morrer é a mídia física. Novos dados mostram que, em vários mercados, o disco ainda empata ou até ganha do download.
Quanto Resident Evil Requiem vendeu em disco em cada país
Os números vieram de Christopher Dring, cofundador do The Game Business, com base em levantamento da Ampere Analysis. Eles consideram as vendas até o fim de junho de 2026.
| País | Mídia física | Digital |
| França | 55% | 45% |
| Japão | 51% | 49% |
| Austrália | 43% | 57% |
| Reino Unido | 40% | 60% |
| Estados Unidos | 22% | 78% |
A leitura de Dring é direta: nem todo mercado está fazendo a transição para o digital no mesmo ritmo.
Por que os Estados Unidos são a exceção
Nos EUA, quase quatro em cada cinco cópias foram digitais. É o extremo oposto da França, único país da lista onde o disco superou o download.

O detalhe importa porque os números americanos costumam virar "o número da indústria". Boa parte das estatísticas que circulam pesa muito o mercado dos EUA e acaba dando a impressão de que o físico já acabou em todo lugar.
Os dados de Requiem mostram outra coisa. Fora dos Estados Unidos, o disco ainda responde por perto de metade das vendas de um lançamento grande.
E o Brasil nessa história?
O Brasil não aparece no levantamento da Ampere — e essa ausência já diz bastante.
Por aqui, a maior parte do jogo físico é importada. Isso significa imposto, frete e uma cadeia de distribuição cara, o que reduz a oferta nas lojas e aumenta o risco para o varejo.
O efeito prático é que alguns lançamentos simplesmente não chegam em disco no Brasil. Não é falha de distribuição: é decisão de quem publica, quando a venda esperada não paga o custo de trazer o produto.
Some a isso o comportamento do jogador brasileiro. Segundo a Pesquisa Game Brasil 2026, o preço alto mudou a jornada de compra: 27,9% esperam os primeiros meses para ver avaliações antes de comprar, e 26,2% seguram até aparecer promoção. Quem espera desconto costuma comprar digital, onde as promoções são mais frequentes.
O fim dos discos do PlayStation em 2028
O levantamento chega num momento sensível. Em 1º de julho de 2026, a Sony anunciou que deixará de produzir discos para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028.
A regra vale para novos lançamentos de PS4, PS5 e consoles futuros. Jogos que já saíram em disco continuam funcionando normalmente, e as caixas nas lojas podem continuar existindo — só que com código de download dentro.
Um mês depois, na apresentação de resultados, a Sony reforçou que não vai voltar atrás. A diretora financeira Lin Tao explicou que o aviso foi dado com cerca de um ano e meio de antecedência para dar tempo aos jogadores se prepararem.
O argumento da empresa está nos próprios números. No ano fiscal de 2025, o digital gerou US$ 6,5 bilhões contra US$ 781 milhões do físico.
Sony e Nintendo contam histórias diferentes
Comparar as duas fabricantes deixa o quadro mais interessante. As duas divulgaram dados do trimestre encerrado em 30 de junho de 2026:
PlayStation — 82% digital, 18% físico. No ano anterior era 83% digital, ou seja, praticamente estável
Nintendo — 61,5% digital, 38,5% físico. O digital subiu 2,2 pontos em um ano
Dois pontos merecem atenção. A migração para o digital no PlayStation parou de acelerar — ficou de lado por um ano inteiro. E quase quatro em cada dez jogos da Nintendo ainda saem em cartucho.
Mesmo com 82% de digital, o volume físico da Sony não é pequeno. Foram 66,1 milhões de jogos completos vendidos no trimestre, o que coloca a fatia em disco na casa dos milhões de cópias.
Resident Evil Requiem já passou de 8 milhões
O jogo foi lançado em 27 de fevereiro de 2026 para PC, PS5, Xbox Series S|X e Nintendo Switch 2.
Nos resultados do trimestre encerrado em 30 de junho, a Capcom confirmou que Requiem ultrapassou 8 milhões de unidades vendidas no mundo. É mais um grande sucesso comercial da série.
Uma expansão de história está prevista para o fim de 2027, quase dois anos depois do lançamento do jogo.




