A Konami passou anos como o exemplo favorito de empresa que abandonou o próprio catálogo. Depois da saída de Hideo Kojima e da guinada para máquinas de pachinko, poucos apostavam no retorno das franquias clássicas.
Agora o presidente da empresa colocou uma palavra específica na mesa: reboot.
Em entrevista ao Nikkei Gaming, Hideki Hayakawa afirmou que os reboots de franquias existentes são iniciativas importantes que funcionam como pilares do negócio. E citou quatro nomes: Metal Gear, Silent Hill, Castlevania e Suikoden.
Por que a palavra "reboot" importa tanto
Remake é refazer o mesmo jogo com tecnologia nova. Reboot é recomeçar a história do zero, com liberdade para mudar o que quiser.
Se Hayakawa quis dizer reboot no sentido estrito, a declaração sugere jogos novos, e não mais remasterizações. Seria uma mudança de patamar na estratégia.
Só que existe uma leitura menos animadora. É possível que a empresa considere Metal Gear Solid Delta: Snake Eater um reboot, já que ele reconstrói um jogo antigo em motor moderno. Nesse caso, a declaração descreveria o que já vem acontecendo, não o que virá.
A ambiguidade é real, e nenhuma das duas leituras pode ser descartada por enquanto.
A metade da declaração que quase ninguém citou
Vale registrar o que veio depois da frase sobre reboots.
Hayakawa disse que a Konami também tem forte desejo de criar gêneros e obras inteiramente novos.
É um recado tão relevante quanto o primeiro. Uma empresa que vive só do próprio passado não tem futuro e o executivo parece ciente disso.
O elefante na sala: Metal Gear sem Kojima
Nenhuma franquia da lista carrega tanto peso quanto essa.
Para boa parte do público, Metal Gear é indissociável de Hideo Kojima. O rompimento entre criador e empresa, em torno do lançamento de Metal Gear Solid 5, foi público e desgastante.

Desde então, a série só avançou por meio de coletâneas e do remake do terceiro jogo. Um Metal Gear inteiramente novo, sem Kojima, seria o teste mais difícil dessa retomada.
Vale notar que Kojima segue ocupado com os próprios projetos e já afirmou que pretende continuar fazendo jogos. Um reencontro entre os dois lados é, no mínimo, improvável.
Konami reconquistou seu público?
Coletâneas e relançamentos de Castlevania e Metal Gear devolveram catálogo antigo ao mercado
Silent Hill 2 Remake mostrou que a empresa sabia tratar bem um clássico
Metal Gear Solid Delta: Snake Eater repetiu a fórmula com o terceiro jogo da série
Silent Hill f provou o ponto importante: a Konami consegue fazer algo novo dentro de uma marca antiga
Silent Hill f é justamente o exemplo que dá peso à palavra reboot. Ele se afastou o suficiente da série principal para funcionar como obra própria e deu certo.
E o Suikoden?
Das quatro franquias citadas, é a mais esquecida pela imprensa inclusive pela matéria que originou este texto, que deixou o nome de fora do título.
Suikoden é uma série de RPG dos anos 90, com base de fãs pequena mas devotada, que passou décadas praticamente parada. Vê-la ao lado de Metal Gear e Silent Hill numa fala de estratégia corporativa é um sinal e tanto.




