O adiamento que muita gente esperava que viesse acabou vindo — e da forma mais discreta possível. O chefe da Amazon Games, Jeffrey Gattis, revelou quase de passagem durante uma entrevista ao podcast The Game Business que Tomb Raider: Catalyst, originalmente previsto para 2027, agora tem como alvo o ano de 2028.
Não houve comunicado oficial. Não houve post nas redes sociais. Apenas uma frase solta em meio a uma conversa sobre outro assunto — e a comunidade já estava de olho.
Como a "confirmação" aconteceu
Gattis participou do episódio mais recente do The Game Business para falar principalmente sobre a expansão do Amazon Luna, o serviço de cloud gaming da empresa, que passa a estar disponível dentro do Prime Video para membros Prime nos Estados Unidos e Reino Unido com um Fire TV.
Foi durante essa conversa, ao ser questionado sobre os projetos AAA da Amazon, que o executivo mencionou os dois Tomb Raider:
"Obviamente, anunciamos os dois títulos de Tomb Raider. Tomb Raider: Legacy of Atlantis chega em 12 de fevereiro do ano que vem, e então seguiremos em 2028 com o próximo. Estamos empolgados com eles."
Gattis não usou a palavra "adiado" em nenhum momento — e também não explicou os motivos da mudança de janela. Foi um "quick roll of the tongue moment", como descreveu um dos portais que cobriu a notícia: uma informação importante entregue de forma completamente casual.
O que é Tomb Raider: Catalyst

Desenvolvido pela Crystal Dynamics e publicado pela Amazon Game Studios, Tomb Raider: Catalyst é o 14º jogo principal da franquia e sequência direta de Tomb Raider: Underworld (2008). A história se passa no norte da Índia, anos após os eventos de Underworld, e acompanha Lara Croft navegando pelas consequências de um cataclismo mítico que liberou segredos ancestrais e despertou forças misteriosas que os guardam.
O chefe da Crystal Dynamics, Scot Amos, descreveu Catalyst como "o maior Tomb Raider que já fizemos". O jogo roda em Unreal Engine 5 e foi desenvolvido com o objetivo de ser acessível para novos jogadores sem conhecimento prévio da série, ao mesmo tempo em que agrada os fãs de longa data.
As plataformas confirmadas são PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC.
O contexto: uma sequência de atrasos
Tomb Raider: Catalyst foi anunciado no The Game Awards de dezembro de 2025, junto com Tomb Raider: Legacy of Atlantis — um remake do jogo original em Unreal Engine 5, desenvolvido em parceria com a Flying Wild Hog. Na época do anúncio, Legacy of Atlantis estava previsto para 2026 e Catalyst para 2027.
O primeiro adiamento veio para o Legacy of Atlantis, que escorregou de 2026 para fevereiro de 2027. Com os dois jogos compartilhando equipe e publicadora, um adiamento em cascata para o Catalyst era esperado — e agora está confirmado.
A consequência que o Kotaku destacou: sem disco no PlayStation
Um detalhe que surgiu nas coberturas internacionais e que merece atenção especial para os fãs brasileiros: com o adiamento de Tomb Raider: Catalyst para 2028, o jogo passa a se encaixar na nova política da Sony, que encerra a produção de mídia física para novos lançamentos a partir de janeiro de 2028. Isso significa que, dependendo de quando exatamente em 2028 o jogo for lançado, ele pode não ter versão em disco para PlayStation.
É a mesma discussão que surgiu com God of War: Laufey — e que agora aparece também aqui. Para colecionadores de mídia física, cada adiamento que empurra um jogo para 2028 é uma potencial perda de uma versão em disco.
A visão maior da Amazon para Tomb Raider
A entrevista de Gattis revelou mais do que apenas a data. O executivo deixou claro que a estratégia da Amazon vai muito além de simplesmente publicar jogos: a ideia é criar um ecossistema integrado entre o jogo, a série de TV de Tomb Raider no Prime Video e merchandising — tudo em uma página unificada da Amazon onde o fã pode consumir Lara Croft em diferentes mídias ao mesmo tempo.
Gattis também comentou sobre o Amazon Luna e sua aposta no cloud gaming como complemento — não substituto — dos consoles tradicionais, citando o aumento de custos de hardware como um fator que pode empurrar jogadores em direção aos serviços de streaming de jogos.




