Call of Duty: Black Ops 1 e 2 chegam ao PS5 — mas a Activision entregou menos do que devia. Dois dos jogos mais amados da história do Call of Duty finalmente chegaram ao PlayStation. A Activision fez um shadow drop de Black Ops e Black Ops 2 na PSN na última quarta-feira, disponibilizando ambos para PS4 e PS5 de surpresa, sem anúncio prévio de data. Eram títulos que os fãs do PlayStation pediam há anos — afinal, enquanto os donos de Xbox aproveitavam os dois via retrocompatibilidade desde há muito tempo, os jogadores da Sony não tinham como jogar no hardware atual sem recorrer ao PS3 original.
A chegada é uma vitória, sem dúvida. Mas a forma como ela foi executada deixa um gosto amargo.
O que está incluído
Cada jogo custa US$ 39,99 individualmente, com desconto de 50% para assinantes do PS Plus até 6 de agosto de 2026 — o que reduz o preço para US$ 19,99 por título. No Brasil, cada jogo está saindo por R$ 99,90 durante a promoção de lançamento, com preço padrão de R$ 199,90 após o período promocional. Cada compra inclui a campanha completa, o multiplayer e o modo Zumbis dos respectivos jogos. O Black Ops original traz a espionagem da Guerra Fria com Alex Mason e Frank Woods; o Black Ops 2 expande para múltiplas linhas do tempo e histórias com ramificações dependendo das suas escolhas.
Quanto ao DLC: O season pass com todo o conteúdo adicional de cada título está disponível separadamente, com desconto temporário para cerca de US$ 10 por jogo durante o período de lançamento, contra o preço normal de US$ 30. Os mapas são vendidos à parte — algo que já gerou críticas imediatas de jogadores que pagaram por eles há mais de uma década e agora precisam pagar de novo.

O problema técnico que não dá para ignore
Aqui está o nó da questão. Esses ports foram desenvolvidos pelo estúdio Iron Galaxy — conhecido por trabalhos como Diablo 3, Overwatch e Fallout 76 — e a comunidade já esperava ports funcionais, não necessariamente remasters. O que ninguém esperava era o nível de esforço técnico entregue. O Black Ops original, lançado em 2010 para PS3 e Xbox 360, chega em 2026 ao PS5 rodando em 1080p nativo — sem nenhum anti-aliasing. Sem suporte a 4K. Sem opções de 120fps. O teto técnico da versão de PS5 é o mesmo que já existia na versão de PS4, que também existe. Em 2026, em um console que roda jogos muito mais pesados em 4K nativo com ray tracing, entregar um port de um jogo de 16 anos em 1080p60 — e chamar isso de versão de PS5 — é difícil de justificar.
Um dos pontos mais repetidos por quem já experimentou estas versões é precisamente esse: não se trata de remasters, mas sim de ports diretos dos jogos originais. Não há novos efeitos gráficos, suporte para taxas de atualização mais altas ou opções como ajuste de campo de visão — apenas alguns acertos técnicos para funcionarem nos consoles atuais. Ao comparar as versões de PS5 e Xbox, a impressão é de ports diretos sem grandes diferenciais entre as plataformas — e quem esperava algo além do básico vai se decepcionar. O multiplayer tem servidores atualizados.
Um ponto positivo em meio às críticas
Em meio às críticas técnicas, há um ponto positivo concreto. O modo multiplayer de ambos os jogos utiliza a infraestrutura de servidores atualizada da Activision, o que deve mitigar os problemas de segurança e as vulnerabilidades que afligiam as versões legadas de PlayStation 3. As versões antigas para Xbox 360 ainda são frequentadas por hackers que exploram a brecha do "Theater Mode", injetando menus de trapaça em partidas sem precisar de console modificado. O port novo para PlayStation chega com servidores diferentes, o que pode oferecer uma experiência online mais limpa — pelo menos por enquanto.




