O universo dos animes shounen ganhou mais um título com a estreia de Black Torch, adaptação do mangá de Tsuyoshi Takaki publicado originalmente pela Shueisha. Produzido pelo estúdio 100studio e dirigido por Kei Umabiki, o anime chegou cercado de expectativa por misturar ação ninja, mistério sobrenatural e uma proposta que promete fugir um pouco da fórmula tradicional do gênero: um protagonista capaz de conversar com animais. Depois de acompanhar os primeiros 6 episódios, este artigo traz uma análise completa, destacando tanto os acertos quanto os pontos que ainda deixam a desejar, para ajudar quem está em dúvida se vale a pena entrar ou não começar a assistir.
A história de Black Torch
Black Torch acompanha Jiro Azuma, um adolescente descendente de uma antiga linhagem de shinobis, criado pelo avó e treinado desde cedo nas artes marciais ninja. Além da habilidade de luta, Jiro possui um dom peliculiar de conseguir falar com animais sem problema algum, sendo ele um tipo de protetor dos bichos que pedem sua ajuda.
Essa habilidade passa a ganhar mais significado quando Jiro resgata um gato preto ferido na floresta, chamado Rago, porém Rago não é um gato comum e sim um Mononoke, uma entidade sobrenatural poderosa, que se disfarça de animais ou pessoas, sendo sua principal fonte de energia, se alimentar de humanos. A partir desse encontro, Jiro se vê envolvido em um conflito caótico, quando uma questão de vida ou morte, Rago possui seu corpo, com os poderes de um Mononoke, Jiro se ve obrigado a entrar para agência secreta que combate mononokes com más inteções, ao mesmo tempo em que precisa lidar com Rago dentro de si. É justamente esse encontro entre o mundo humano e o sobrenatural que dá início a todo o enredo da série.
Primeira impressão

O primeiro episódio de Black Torch consegue prender a atenção do espectador, principalmente pela forma como apresenta Jiro e seu dom de conversar com animais e como é sua relação com eles: ele os entende, conversa e age como se estivesse falando com um amigo, sempre disposto a ajudá-los quando estão em perigo. Essa característica humaniza Jiro o que faz o público criar uma empatia de certa forma.
É justamente esse traço de personalidade, que acaba sendo o gatilho para todo o enredo principal. Ao socorrer Rago sem saber sua verdadeira natureza, Jiro dá início a uma sequência de eventos que muda completamente o rumo de sua vida.
Pontos não muito atraentes
Apesar do bom começo, os primeiros seis episódios revelam algumas falhas em destaque na obra.
O primeiro ponto está relacionado ao próprio protagonista, Jiro não é desagradável nem excessivamente arrogante, mas também está longe de ser carismático, a falta de uma mais perceptível ao longo desses 6 episódios iniciais, deixam a desejar assim como dialogo mais elaborado nos confrontos. A sensação predominante é de o personagem que apenas reage aos acontecimentos, sem postura ou personalidade. E esse problema não é somente de Jiro mas de outros personagens presentes na obra, sem nenhum que realmente se destaque ou prenda a atenção do espectador.
O segundo ponto de atenção envolve as cenas de luta, até o momento, não houve muitos confrontos e, quando acontecem, costumam ser resolvidos de forma muito rápida, sem tensão real, performance ou estratégias, coreografia também é limitada, com poucos movimentos e combinações, já em relação as falas durante as lutas, são apenas gritos e frases soltas, sem nenhum peso dramático ou estratégico.
Por fim, A história tem uma narrativa bastante lenta, sem entregar: ação, suspense ou reviravoltas que chamem mais atenção.
Pontos positivos:
Mesmo com bastante pontos negativos, algumas características seguem despertando curiosidade e sustentam o interesse em continuar assistindo.
O principal deles é o mistério em torno do passado de Jiro, aos poucos, fica claro que existem segredos envolvendo seus pais e as circunstâncias que o levaram a ser criado pelo avó. Há indícios de que o avó também esconda dele informações sobre a agência secreta e sobre os mononoke, o que sugere que a família de Jiro está mais conectada ao sobrenatural do que uma simples coincidência.
Algo bastante interessante são as dúvidas em torno de Rago, ainda que esteja auxiliando os humanos contra os mononoke, não fica totalmente claro se essa aliança é verdadeira ou apenas fingimento. Rago continua sendo um personagem misterioso, e essa incerteza sobre suas reais intenções é um dos pontos mais interessantes da trama até aqui.
Vale a pena acompanhar?
Black Torch ainda não se firma como uma obra indispensável de shounen, As lutas seguem pouco elaboradas, a progressão da história lenta e o desenvolvimento dos personagens deixa a desejar bastante, para quem busca um shounen com ação intensa desde o início, talvez Black Torch não seja a melhor opção. Porém como dito antes não é totalmente dispensável, ainda assim, os mistérios em aberto sobre o passado de Jiro e as verdadeiras intenções de Rago podem ser motivo suficiente para quem gosta de acompanhar produções aos poucos, na expectativa de que a trama ganhe mais força nos episódios seguintes.
Onde posso assistir?
Black Torch está disponível na Crunchyroll, Os episódios são lançados semanalmente, sempre aos sábados, acompanhando o cronograma de exibição no Japão.




